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Friday, November 24, 2006

Violência nas Escolas

CASOS DE SUCESSO Violência nas Escolas

Pesquisadores do CRISP/UFMG traçam perfil da violência e suas conseqüências no cotidiano das escolas de Belo HorizonteAmbientes sociais desfavorecidos levam à disseminação da violência. Esta é uma percepção mais ou menos generalizada em nossa sociedade. O que uma grande parte das pessoas não considera é a relação inversa: como os ambientes violentos vêm desfavorecendo as comunidades nas quais estão inseridos? A escola pode ser um bom demonstrativo dessa inversão. Um estudo realizado em escolas de Belo Horizonte pelo CRISP - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, órgão ligado à UFMG, composto por pesquisadores da Universidade e de órgãos públicos envolvidos com o combate à criminalidadeda UFMG - verificou que a instituição escolar vem perdendo seu caráter transformador e seu poder de antídoto da violência para sofrer vandalismo e depredações, tornando-se um retrato do crescimento desordenado desta mesma violência. Violência e criminalidade respondem “presente” na escola Educação sempre foi remédio seguro para tratar sociedades e grupos sociais com problemas com a violência. Na Belo Horizonte de hoje, a realidade das escolas parece desmentir esta máxima. Depredações, ameaças e vandalismo no ambiente escolar fazem parte do dia-a-dia de alunos e professores. Para analisar a interferência da criminalidade e da violência no cotidiano das escolas de Belo Horizonte e seus efeitos no papel de educar e socializar indivíduos, o CRISP, nos últimos 2 anos mobilizou uma equipe de 23 pesquisadores. Os estudiosos partiram da idéia do senso comum de que a violência e a criminalidade estão associadas ao fenômeno da urbanização acelerada e da desigualdade social, o que acabaria por transformar ambientes pobres em violentos. A pesquisa utilizou uma amostragem de 50 escolas estaduais, municipais e particulares e abordou nos questionários questões como o nível de medo presente no cotidiano da escola e até que ponto esse medo provocaria queda de rendimento escolar, trazendo conseqüências para a qualidade do aprendizado.Sempre se soube que as instituições de ensino abrigavam, dentro dos seus muros, um tipo de violência simbólica, através da qual eram explicitadas as relações de poder entre professores e alunos e as disputas entre alunos mais fortes e mais fracos. No decorrer do estudo, foi percebido um outro tipo de violência, que está fora do ambiente escolar, mas que não deixa de interferir na rotina das escolas. Segundo Karina Rabelo, uma das coordenadoras da pesquisa, a criminalidade se manifesta de forma expressiva nas imediações da escola. Esses ambientes se tornam, então, palco de conflitos constantes que acabam por fazer parte do cotidiano escolar. A violência das ruas invade a escola. A equipe de pesquisadores verificou que ambientes violentos comprometem os serviços prestados à comunidade e chegam a inverter a relação. A escola que sempre atuou como principal tutora da educação, tendo um papel social importante junto à comunidade, apareceu como uma vítima do ambiente no qual está inserida, absorvendo e reproduzindo a crescente violência da sociedade. O estudo revelou que a violência interfere na sensação de segurança do aluno, comprometendo a satisfação com seu aprendizado. Além disso, foi evidenciado que os alunos reconheciam que fatores como a desordem e a ausência de controle exercido pela escola sobre o seu público favoreciam eventos violentos.Também foi evidenciado que uma relação saudável entre professor, aluno e representante da comunidade é benéfica para todos. A cooperação e a prática do diálogo entre a escola e as comunidades caracterizam as regiões com menor índice de violência. Os estudos, que foram finaciados pela Ford Foundation sob coordenação geral de Cláudio Beato, estão em fase de conclusão e os resultados serão publicados em breve. O relatório final vai conter dados referentes à pesquisa com os professores e o cruzamento destes dados com os coletados junto aos alunos. A intenção é tornar o relatório final, com todos os anexos pertencentes ao estudo, disponível no site do CRISP - www.crisp.ufmg.br.


A violência nas escolas
A violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se activamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais às crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão as crianças, que, actuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que por vezes oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis.


A violência na escola
Os meios de comunicação audiovisual, não raras vezes retratam acontecimentos violentos protagonizados pelos alunos nas escolas. De facto, "inverteram-se os papéis; os métodos violentos de alguns professores eram tradicionalmente mais frequentes no mundo escolar: castigo físico, humilhações verbais…" (Fermoso: 1998:85). Actualmente, os professores não podem exercer qualquer tipo de castigo aos alunos sob pena de sofrerem sanções disciplinares, mas e os alunos? Que perfil apresentam os adolescentes que se envolvem em actos de violência nas escolas portuguesas?
Um estudo realizado em 2001 por Margarida Matos e Susana Carvalhosa baseado em inquéritos a 6903 alunos de escolas escolhidas aleatoriamente, com as idades médias de 11, 13 e 16 anos, analisaram a violência na escola entre vítimas, provocadores (incitação na forma de insulto ou gozo de um aluno mais velho e mais forte do que o outro) e outros (similarmente vítimas e provocadores) demonstram os seguintes dados bastante curiosos:
Mais de metade dos alunos inqueridos são do sexo feminino (53.0%);
25.7% dos jovens afirmaram terem estado envolvidos em comportamentos de violência, tanto como vitimas, provocadores ou duplamente envolvidos;
As vítimas de violência são maioritariamente masculinas (58.0%);
Os inqueridos que se envolveram em comportamentos de violência em todas as suas formas situavam-se nos 13 anos de idade;
Os jovens provocadores de violência são aqueles que têm hábitos de consumo de tabaco, álcool e mesmo de embriaguez. Também são os que experimentaram e consumiram drogas no mês anterior à realização do inquérito;
Quanto às lutas, nos últimos meses anteriores ao inquérito, 19.08% dos jovens envolveram-se em comportamentos violentos;
Os vitimados pela violência, são os que andam com armas (navalha ou pistola) com o intuito da sua própria defesa;
Os adolescentes que vêem televisão quatro horas ou mais por dia são os que estão mais frequentemente envolvidos em actos de violência;
As vítimas e os agentes de violência não gostam de ir à escola, acham aborrecido ter que a frequentar e não se sentem seguros no espaço escolar;
Para os actores de violência a comunicação com as figuras parentais é difícil;
16.05% das vítimas vive em famílias monoparentais e 10.9% dos provocadores vive com famílias reconstruídas;
Quanto aos professores, os alunos sujeitos e alvos de violência consideram que estes não os encorajam a expressar os seus pontos de vista, não os tratam com justiça, não os ajudam quando eles precisam e não se interessam por eles enquanto pessoas;
Em relação ao relacionamento entre grupo de pares, estes adolescentes referem a pouca simpatia e préstimo e não-aceitação por parte dos colegas de turma, a dificuldade em obter novas amizades, ausência quase total de amigos íntimos.
Este estudo vem reforçar a relevância dos contextos sociais dos jovens, aparecendo bem focados como factores desencadeadores de comportamentos violentos a desagregação familiar, a pouca ou inexistente atracção pela escola, o grupo de amigos aliados à posse de armas, consumo de estupefacientes, álcool e tabaco e visionamento excessivo de televisão.
Os comportamentos violentos na escola têm uma intencionalidade lesiva. Podem ser exógenos, ou seja, determinados de fora para dentro, como acontece nos bairros degradados invadidos pela miséria e pela toxicodependência, onde agentes estranhos ao meio o invadem e destroem; pode tratar-se de violência contra a escola, em que alunos problema assumem um verdadeiro desafio à ordem e à hierarquia escolares, destruindo material e impondo um clima de desrespeito permanente; ou são simplesmente comportamentos violentos na escola, que ocorrem sobretudo quando esta não organiza ambientes suficientemente tranquilos para a construção de valores característicos a este local. A violência pode ser desencadeada fruto de muitas situações de indisciplina que não foram resolvidas e que constituem a origem de um comportamento mais agressivo.
Para combater a violência, a escola tem de analisar a forma como é exercido o seu controlo, tem que se organizar pedagogicamente, para conseguir deter a violência não só interior mas também exterior.
Alunos e escola: adversários ou aliados?
O senso comum mostra-nos que a relação entre aluno e escola apresenta múltiplas fases ao longo do caminho do indivíduo. Nos primeiros anos, nomeadamente creche e infantário, ou mesmo ensino básico, as crianças ficam ansiosas por ir para a escola: é lá que estão os seus colegas de brincadeiras, os educadores/professores são durante alguns anos os mesmos, pelo que as relações afectivas são intensificadas e todos os conceitos são apreendidos de forma agradável e lúdica.
A desvalorização do lado afectivo, a introdução de maior formalidade no relacionamento e a constante troca de professores consoante as disciplinas, faz com que se registe um esmorecimento nesta relação entre alunos e escola.
Em Portugal, o sistema educativo tem vindo a sofrer grandes alterações. Diminuíram substancialmente os alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, procedeu-se à obrigatoriedade da escolarização até ao 9º ano, o ensino secundário foi palco de sucessivas e controversas transformações. O panorama escolar não é muito animador, conforme retratam os meios audiovisuais: alto índice de retenções, sendo a matemática o real «calcanhar de Aquiles» de qualquer Ministério da Educação, o abandono e absentismo escolar, a violência e indisciplina no espaço escolar. Por outro lado, a exigência do Ministério da Educação no cumprimento dos conteúdos programáticos, a falta de coesão entre o corpo docente, faz com que estes se alheiem dos alunos e não tenham disponibilidade para os problemas decorrentes da juventude.
Se os alunos são provenientes de famílias organizadas com razoável cultura e escolaridade, conseguem aprender e serem alunos com aproveitamento. Contrariamente, se provêm de uma base familiar desagregada, com inúmeros problemas, rapidamente caminham para a reprovação, indisciplina e mesmo violência. A este propósito, o "Jornal de Noticias" do dia 3 de Maio de 2004 relata uma notícia de um adolescente de 13 anos que se encontra em tratamento numa clínica de recuperação de toxicodependentes e que na escola "atirava cadeiras à professora", possuindo actualmente o segundo ano do ensino básico, não sabendo ler nem escrever, somente assinar o seu nome.
Felizmente, em muitas escolas, o panorama é diferente. A comunidade educativa organiza-se mesmo que minimamente e em conjunto, professores, alunos, pais e funcionários reflectem sobre as diversas temáticas ou problemas.
A organização pedagógica da escola é o pilar essencial para a prevenção dos problemas relacionados com o abandono, absentismo, indisciplina e violência.

1 comment:

Marco Aurélio said...

Ficou sabendo de uma coordenadora da Escola Jovem Osmar Cunha em Florianópolis,que foi espancada por uma “aluna” de 16 anos semana passada?

Um abraço

Marco Aurélio